Se formos fazer uma viagem ao túnel do tempo,referindo-se ao conceito que designa a deficiência,veremos que ao longo de todo o tempo, preconceitos,
estereótipos,generalizações e mitos contaminaram as ações da sociedade em
diferentes épocas.
Desde os primórdios da humanidade a
deficiência era vista com total desprezo.Exemplo desta situação foram algumas
atrocidades praticadas tais como: lançamento de pessoas consideradas
deficientes em despenhadeiros, dizimação destas quando pequenas, sacrifícios de
diferentes ordens, enclausuramentos,uso comercial humano para fins de
prostituição ou utilizado na mão de obra escrava.
Mais adiante visualizou-se outra
época em que o Cristianismo se manifestava com propósito de difundir entre este
grupo social, sentimentos de humanização ao próximo,bem como a legitimação do
pecado e do perdão.Contraditoriamente, ao mesmo tempo em que pregava estas
possibilidades, a Igreja excluía este grupo de ocupações de cargo na referida
instituição,alegando não serem perfeitos.
A discriminação persistiu na Idade
Média onde preponderava o misticismo em relação as pessoas consideradas
deficientes,vistas estas como um castigo divino.Doenças epidêmicas, típicas da
época, também colocavam o deficiente em um processo de total exclusão.
Gradativamente, novos olhares se
descortinam,com a ciência passando por avanços consideráveis e avalizando algum
direito,bem como o rompimento de algumas crenças e mitos.A deficiência começa a
assumir uma condição mais tolerante,social e legalmente,através de direitos
adquiridos, legitimados na contemporaneidade por políticas públicas que
asseguram o mínimo de estabilidade em relação a sua qualidade de vida.
Mesmo se considerarmos o
cenário trágico do abuso humano referido acima, como repugnante e
excludente, estas práticas poderiam ser vistas como algo
"natural" da época e das sociedades que a constituíam,ou
seja,produzido por construções culturais,sociais e históricas.
A problemática posta em questão a
partir de agora permeia a condição subjetiva do ser humano considerado
DEFICIENTE.
Eis algumas implicações que penso
serem importantes desmistificar.
O que é deficiência? Segundo
algumas organizações internacionais daria para se pensar em perdas,
anormalidades,incapacidades,impedimentos. Mas a quem beneficiaria estes
conceitos? Que outras relações estariam por trás deste ordenamento? A
quem serviria tais comportamentos adaptativos? A atribuição de rótulos e
estigmas não seria um entrave para que este sujeito em questão pudesse estar
produzindo outras formas de vida ou mesmo tomar suas próprias decisões?
Penso que a normatização e o
enquadramento fazem-se extremamente perigosos diante da vastidão subjetiva a
qual transitamos,todos sujeitos a perdas,limitações, imperfeições,impedimentos que
nos colocam na condição de faltantes,deficientes,já que isto nos impulsionaria
sempre em busca de algo.
Somos apenas diferentes, cada um com
suas particularidades,gostos,hábitos,ideias,vivências,bagagens
culturais,relações sociais, padrões éticos e morais...sim,e daí?
Agnes de Fatima da Silva
Patias
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