Enquanto você se esforça pra ser
um sujeito normal e fazer tudo igual...
Eu do meu lado aprendendo a ser louco
Maluco total na loucura real...
Controlando a minha maluquez
Misturada com minha lucidez...
Raul Seixas –Maluco
Beleza
A loucura, culturalmente construída e modificada, perpassa séculos e vem
acompanhada de estigmas com métodos de intervenção médica interpretados na sua
grande maioria apenas por comportamentos manifestos e observáveis, fazendo-se
valer de um saber e poder absolutos.
A inserção da psiquiatria no Brasil, estruturada por um saber científico
em relação à loucura enquanto patologia, implantou as instituições manicomiais,
internando pessoas em sofrimento psíquico para que fossem disciplinadas, controladas,
reguladas e excluídas aos olhos da sociedade.
A partir de algumas observações da situação exposta pelo poder enquanto
força que submete, os movimentos sociais de luta começaram, gradativamente, a
questionar estas propostas de aprisionamento e exclusão e pensar acerca da
reinserção social, de modo menos violento e invasivo.
Atualmente, a Reforma Psiquiátrica busca, por meio de conferências,
congressos e documentos, pensar ações e serviços que assegurem os direitos da
pessoa em processo de vulnerabilidade psíquica, na tentativa de extinção dos
hospitais psiquiátricos e inserção de serviços aos usuários que proporcionem o
resgate da identidade e da autonomia através de uma rede de proteção integral.
O sofrimento mental vai além de uma simples nomenclatura de doença. Envolve
uma complexidade de fatores internos e externos que precisam ser considerados,
bem além das patologizações.
A luta antimanicomial enfrenta entraves significativos em relação a
mudanças efetivas, dentre eles a necessidade de obtenção de novos olhares que
busquem a ressignificação da loucura.
Vale ressaltar algumas inquietações que nos levam a pensar sobre estas
práticas ainda legitimadas:
Quais causas desencadeariam a busca desenfreada de soluções imediatas
para qualquer tipo de desconforto e mal estar apresentado?
Que sintomas estariam se sobrepondo ao conceito de doença mental?
Quais interesses estariam a serviço desta representação social?
Não estaríamos todos à beira, quando buscamos resistir a este universo
de pressões e desafetos ?
Será que as diferenças deveriam ser medicalizadas e a vida normatizada
de modo único?
O grande desafio está lançado, resta-nos acordar para uma realidade
investida de valorização às diferenças bem como a produção de enfrentamentos
para lidar com as adversidades da vida, incluindo a diversidade humana, sem
enclausuramentos e exclusões.
"...e que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também."
Oswaldo Montenegro-Metade
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